A
nova fronteira nanoeletrônica e o surgimento dos hackers
A definição da nanotecnologia reveste-se de uma
flexibilidade tal que possibilita sua aplicação
a muitos setores de atividade. Considerando as raízes lingüísticas
da palavra nanotecnologia, esta deriva do prefixo nano, sendo
uma medida de grandeza usada na ciência para designar um
bilionésimo. Assim, um nanômetro (símbolo
nm) é relativo à “escala nanométrica”. Se
imaginarmos um milímetro, que já é muito
pequeno, nós podemos enxergá-lo régua. Porém,
enquanto um micrômetro corresponde a um milionésimo
do metro e a um milésimo do milímetro, um nanômetro
equivale à bilionésima parte de um metro, ou seja,
a um milionésimo de milímetro ou ainda a um milésimo
de mícron.
A
dimensão “nano”, portanto, não é algo naturalmente
por todos assimilada, sendo possível afirmar com segurança
que sobre estas tecnologias tão pequenas, ínfimas,
praticamente o mundo sabe muito pouco. Elas não são
construídas na escala comum em que estamos acostumados
a perceber o mundo, segundo a qual desenvolvemos a visão
das coisas que nos rodeiam, tampouco dizem respeito a nós
mesmos e sobre como pensamos a relação natureza
e cultura. É o mundo do “muito pequeno”, do invisível
aos nossos sentidos. É exatamente essa nova capacidade
de criação e desenvolvimento que atribuo às
nanotecnologias, tecnologias moleculares muito complexas, capazes
de trabalhar com a manipulação de átomos
- átomo por átomo. Esta ação culmina
com a habilidade para manufaturar mecanismos e materiais sob especificações
atomicamente precisas, e para criar nanodispositivos a serem empregados
na fabricação de objetos e sistemas mais diversos,
entre os quais, estão os de computador.
Com
a nanotecnologia, parece a princípio que outras espécies,
outros mundos, outras culturas, outras experiências são
fortemente apontados diante da hipótese de manipular átomos
e colocá-los onde bem se entender, desde que não
sejam violadas as leis da natureza, dispondo apenas de conhecimento
e tecnologia para tornar esta manipulação uma realidade.
Entretanto, não é o que parece estar assegurado
quando se pensa no poder das nanotecnologias de rearranjar átomos.
É difícil concebê-las sem o poder de alterar
e manipular leis básicas da natureza. Mas não se
quer aqui discutir as possibilidades existentes ou não
de ocorrerem modificações capazes de afetar quem
somos, como também a natureza, correndo-se o risco de remeter
a discussão a um confuso e obstinado subjetivismo e, da
mesma maneira, às expectativas da concepção
tradicional objetivista das abordagens. As tecnologias de modo
geral não têm seguido um rumo determinista estrito,
sendo hoje, muito intensivas e dependentes do próprio avanço
do conhecimento cientifico. Isto exige “agregar conhecimentos
dos fatos humanos vindos de outras disciplinas, muito especialmente
da biologia” (Leis, 2003, p.4) pronunciados num legítimo
diálogo interdisciplinar e intercultural, fora dos muros
do reducionismo, portanto.
A
nanotecnologia, por sua vez, uma idéia extremamente original
que vai desde a estrutura molecular até à eletrônica,
passa por distintos setores do conhecimento, nada existindo ainda
de previsível, o que demanda sem dúvida uma base
muito grande e forte de conhecimento. Seja como for, este dilema
que se situa a partir das inovações nanotecnológicas
merece uma abordagem baseada em outros fundamentos que não
são ainda suficientemente claros sobre os homens e a natureza,
em toda sua complexidade. Neste sentido, ressalta-se que jamais
sociedade humana alguma experimentou uma condição
de mesclas tão radicais, segundo Oliveira[6](2002),
“... de hibridações de natureza e artifício,
de carne e mente, de intimidade e globalidade, em que os limites
que definiam os indivíduos tornam-se cada vez mais ambíguos
e imprecisos, mais estendidos em um sentido, mais contraídos
em outro”.
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