É
inegável que tais invenções contribuíram
de forma inédita para combinar o corpo humano com a máquina.
Sobre essa relação, é conveniente aqui lembrar
ainda Lemos (1999, p.16), quando retoma o trabalho de Haraway
(2000) fazendo referência ao surgimento do cyborg em meio
à cultura contemporânea. O autor implicitamente reconhece
as mudanças ocasionadas pela miniaturização
e transformação do mundo de forma radical com a
introdução do eletrônico digital, da biogenética
e das nanotecnologias. Embora esteja tratando da relação
entre o natural e o artificial, entre natureza e cultura, e da
aproximação entre o corpo físico natural
e as máquinas tecnológicas, são questões
que envolvem mudanças não compreendidas ainda, na
sua plenitude, no campo das ciências sociais e humanas.
No
novo contexto, pouco indulgente e intenso, da "Sociedade
da Informação" dos anos 1990, a sociedade se
viu forçada a fazer frente à natureza intangível
do ciberespaço como um território privado, como
uma expansão da realidade física em outra dimensão.
Assim, os atos de "hackeamento” foram de tal modo complexificados,
dificultados em serem exercidos, assumindo demasiada importância
a tal ponto que foi deixado aos hackers. Os hackers foram, então,
se sobressaindo cada vez mais como pessoas com conhecimentos técnicos
informáticos, tornando-se não meros atores da denominada
“subcultura”, formada no e em torno do “aparente mundo ficcional
do ciberespaço”, mas providos de uma capacidade criadora
para inventar programas e desenvolver formas novas de processamento
de informação e comunicação digital
- às vezes por hobby, outras no desempenho profissional
- vinculadas mais especificamente aos cientistas de computador
e hackers de sistemas.
Não
se pretende aqui abordar a idéia de contracultura como
a popularização da atitude dos hackers, que têm
na esfera do hacking sua grande distinção. Convém
lembrar que atos de hacking podem ir desde as simples e inofensivas
travessuras ou as com mais sérias conseqüências
de orem econômica, até ações extremamente
finas, muito mais pequenas e bem mais delicadas. Considero que,
desse modo, torna-se mais fácil explicitar tanto rumor,
especulação, suspense e encantamento que existem
em torno da relação entre tecnologia e hacker, bem
como nas notícias impactantes difundidas sobre a nanotecnologia,
que ‘sopram’ sem muito fundamento, pois tanto a nanotecnologia
como a constituição identitária do hacker
são fenômenos ainda muito novos. Ainda é muito
cedo para emitir certezas como verdades absolutas a respeito disso.
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