Com
esse entendimento e pelas razões expostas, para fundamentar
este estudo serão importantes as contribuições
de alguns autores a quem recorro, porque lançam luz sobre
muitas questões a respeito do que veio a denominar-se “sociedade
da informação”. Além disso, eles tomaram
para si a relação homem-técnica como preocupação
central e fazem o reconhecimento do inegável valor inovador
da tecnologia computacional, que necessita sobretudo de liberdade
para desenvolver-se e alicerçar a cibercultura como uma
“forma peculiar de relação entre a sociabilidade
e as tecnologias” (Lemos,1999, p.12).
Se
faz necessário, portanto, enfatizar que o acesso à
informação, e através dela ao conhecimento,
proporcionou em maior medida uma divisão e estratificação
pelo uso de novos territórios, uma “desterritorialização”,
segundo Lévy (1998), sobretudo, com a construção
de novas identidades. Essa nova realidade parece ter sido somente
possível com o domínio micro e nano de processamentos
da matéria e da informação. Uma vez implantadas,
as nanotecnologias passam a ocupar um espaço físico
e social que oportuniza aos indivíduos a manipulação
de uma estrutura rizomática “qualidade por qualidade” (Lévy:
2001, p.58) ou ainda “ponto por ponto”, sem que nada seja perdido.
Por isso, as nanotecnologias, por sua natureza molecular e próxima
da capacidade de construir materiais e produtos com precisão
atômica, ao configurarem um novo espaço e revolucionarem
as noções, tempo, alteridade e comunidade, desenham
também objetivos, potência e usuários diferentes.
Abrem, assim, também, um caminho muito mais promissor para
a cultura hacker por oferecem uma grande superfície de
contato e comunicação, particularmente, devido a
experiências e aos conhecimentos que os hackers puderam
desenvolver seguindo os princípios da comunidade de software
livre capazes de ser difundidos e aplicados, inicialmente, a projetos
sociais transdisciplinares. Vale, também, ressaltar a sua
identificação tanto com as tecnologias numéricas
como com a espetacularidade dos equipamentos e instalações
requeridos e dos seus resultados visuais, tornando-se avanços
fundamentais na sustentação da revolução
digital, vinculada, principalmente, às transformações
econômicas e sociais derivadas das novas tecnologias relacionadas,
especialmente, às áreas “inteligência artificial”
(computação e ciências da informação),
“biotecnologia” e, mais recentemente, “nanotecnologia”, marcando
um estilo de vida que resultou da “simbiose entre os homens e
as novas tecnologias” (Lemos, 1999, p.15) e da invenção
da internet. |