Como
nas obras de ficção, todo o imaginário da
cibercultura foi inicialmente alimentado pela ação
legendária dos hackers, associados comumente à subcultura
ou à contracultura – os modernos Robin Hoods de uma Nottinghamshire
virtual. Seu surgimento reporta, igualmente, a um dos acontecimentos
mais polêmicos da recente história das inovações
tecnológicas: o desenvolvimento da nanotecnologia. Além
de tratar-se de uma inovação tecnológica
que requerer uma grande capacidade científica para seu
desenvolvimento, as questões que surgem simultaneamente
a essa tecnologia emergente são muitas, o que dificulta
qualquer tentativa de abarcá-las em seu conjunto. Mas é
possível refletir sobre alguns resultados do refinamento
e do exercício da hackercultura, juntamente com as ações
ultrafinas da nanotecnologia, que apontam novos caminhos a serem
seguidos, sem fazer especulações, pois nada seria
relevante se não resultasse em algo de novo.
Tudo
parece pressupor que há mudanças espetaculares,
a exemplo do surgimento de novos grupos em meio a essa transformação,
ainda em curso, para a sociedade contemporânea. Cabe lembrar
que com as mutações nanotecnológicas a caminho,
os hackers “fuçadores" poderão alcançar
mais eficácia, relativa à programação
de códigos viróticos e no domínio das demais
ferramentas construídas nos “porões” das redes,
assinalando que ao realizarem milhões de operações
mediante dispositivos cada vez mais miniaturizados, eles poderão
gerar avanços fundamentais em tecnologia computacional,
ainda que esses novos conhecimentos das ferramentas que acionam
e regem sistemas e programas possam ser usados para democratizar
informações ou para atos criminosos. Para Piscitelli
(2000, p.86), as realidades virtuais propõem uma mudança
paradigmática em nossas noções de mundo,
experiência, causalidade, comunicação e, sobretudo,
na interação homem-máquina. Mas, com a nanotecnologia,
a mudança proposta é tão poderosa e estremecedora,
devido a sua enorme capacidade de transformação
e potenciais conseqüências, que num e noutro caso tanto
podem ser benéficas como prejudicais.
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