Quanto
à nanotecnologia, acompanhada de sua própria evolução
e do próprio contexto em que se desenvolve, deve ser sempre
considerada na relação homem-natureza-sociedade-cosmos.
Isto é, estar necessariamente integrada no seu próprio
tempo, relacionada ao contexto histórico, econômico,
político e social em que se desenvolve, como prática
social de natureza cultural e altamente formativa.
Não
há dúvida em reconhecer que um dos princípios
que mais caracteriza a nanotecnologia, subjacente à sua
realização, é o desprendimento da determinação
do tempo e do espaço para que ela aconteça. Os meios
disponíveis ao favorecimento da pesquisa nanotecnológica
instigam, é claro, a criação de tempo e espaço
pelos envolvidos neste trabalho, mas não quer dizer que
ambos sejam os determinantes das condições de desenvolvimento
deste processo. Já vem de longe a tentativa do homem em
trabalhar melhor o tempo e versatilizar as circunstâncias
espaciais, pois existem muitos acontecimentos ilustrativos desta
realidade na história da engenhosidade humana. Embora o
avanço de inovações tecnológicas possa
estar mais estreitamente relacionado a questões políticas,
sociais e econômicas do que aos argumentos científicos,
como a muitos parece, essas inovações podem tomar
o caminho resultante, primordialmente, do uso particular que delas
se fizer. As nanotecnologias, portanto, devem ser trabalhadas
como novas possibilidades de ação dos indivíduos
em seu mundo, constatação esta que aponta para a
necessidade de maior espaço de discussão interdisciplinar
sobre os conhecimentos emergentes, de exercício da ética
– ainda a determinar qual - e de maior consciência quanto
a capacidade de integrar as nanotecnologias. Ou, se prevalecer
o contrário, a questão é como evitar o enrijecimento
do avanço destas tecnologias atrelando-as a normas tradicionais,
já obsoletas e ineficazes. O que está por surgir
em termos nanotecnológicos será resultado de grandes
mudanças que precisam acontecer agora. Assinalo, portanto,
a imprescindível contribuição dos setores
estratégicos a favorecer as condições para
que os avanços recentes nas chamadas tecnologias da comunicação
e informação, responsáveis por uma verdadeira
revolução nos costumes e processos econômicos,
possam ser notadamente e maciçamente introduzidos. Esta
contribuição estaria assim, antevendo a emergência
de formas novas e extremamente plásticas de produção
do conhecimento e acompanhamento de seu fluxo, em direção
aos novos cenários, atividades e conceitos deste novo milênio.
|