Se
a modernidade foi marcada por uma dimensão de ver o mundo
além das sociedades anteriores, tal o avanço da
Física Quântica e da Biologia Molecular, por exemplo,
precisamos considerar agora sobre como é que vamos lidar
com escalas que fogem dos nossos padrões sensoriais, tanto
em termos de macro como de nano (lembrando que nano equivale à
bilionésima parte do metro). Qualquer tecnologia que se
situa fora da extensão de magnitudes com que lidamos em
nossa vida diária com as quais nossos órgãos
sensoriais são capazes de lidar, nos assombra e apavora!
Por que o ‘pequeno demais’ ou o ‘grande demais’ nos apavora tanto?
O que na verdade nos apavora?
Sobre
estas questões, considero que surgem face ao que desconhecemos,
quando nos vemos forçados a recondicionar nossa percepção
e a mudar nosso sentido de mundo, nossos procedimentos e, sobretudo,
o que significa para nós a vida e a morte. Assim está
sendo com a bio e a nanotecnologia, campos restritos a alguns
cientistas, que dominam as grandezas escalares, mais que qualquer
pessoa comum. É preciso que entremos no mundo deste pequeno,
estranho ao nosso aparato sensorial e cognitivo, buscando apreender
mais desde a totalidade do macrocosmo até a mais ínfima
partícula do nanocosmo para agir diante dos problemas que
estão desafiando nossa condição humana.
Seguindo as idéias de Solís (1994, p.37), somos
conduzidos a pensar nos diferentes paradigmas que sustentam distintos
valores e hierarquia entre si, produzindo avaliações
e decisões divergentes sobre o desenvolvimento das nanotecnologias
sem que se disponha ainda de um marco comum de normas de racionalidade
a que se possa apelar. É possível que nos deparemos
com as discussões e teses mais radicais, exorbitantes ou
mesmo coincidentes, ao se permitir ver uma coisa em analogia a
outra e evidenciar que as teorias que as embasam não aspiram
a resolver imediatamente nem problemas práticos nem problemas
científicos, mas podem apresentar conseqüências
relevantes para a concepção de sistemas de informação,
para o uso de tais sistemas e para a própria pesquisa científica.
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