corpo que não seja, desde sempre, dito e feito na cultura, descrito, nomeado e reconhecido na linguagem, através dos signos, dos dispositivos, das convenções e das tecnologias.

Tecnologia nas Práticas

Levemos a tecnologia para as práticas esportivas, no que se refere ao alto-rendimento. Testagens computadorizadas de velocidade, de impulsão, de força encontram-se engendradas a predição e medição de tempo, quilometragem percorrida, gasto calórico. A análise do lactato, a partir de uma gota de sangue que serve de busca de otimização de resultados, os suplementos alimentares, os uniformes anatômicos, o material leve, enfim, artifícios que fazem o atleta buscar uma potencialidade além dos recursos corpóreos inatos aos seres humanos. Será que em algum dia pensamos que poderíamos estar conectados a satélites por um relógio e este pudesse nos orientar por onde ir, quanto correr, quantos quilos emagrecer?

A busca do record, a exigência de patrocinadores, a fama, o dinheiro, o tempo, o esquecimento, o mérito, o reconhecimento. Todas essas variáveis entram em contato diário com os atletas e os atravessam subjetivando-os a partir desta lógica do desespero[4] que com mais freqüência insiste em participar em conjunto aos treinos cotidianos.
A carga da conquista é muito pesada. Para conseguir ganhos, na maioria das vezes, utiliza-se da tecnologia de uma maneira exacerbada, naturalizando o modo híbrido de ser atleta. Surgem as tensões e torções: Será que o limite do corpo humano chegou ao final? Será que o limiar entre o humano e o artificial está separado por milésimos de segundo? Será que a eficácia de um chute a gol no futebol está condicionada a um artefato mais leve ou com mais ranhuras nos pés?