práticas. É sobre ele, o meu, o teu, o nosso, o do outro - que amamos, lutamos, dormimos, agimos, somos capturados, povoamos, fugimos. O CsO é o campo de imanência do desejo, onde se definirá como processo de produção, passando e circulando intensidades. Todos nós temos um pouco de cada e o cada tem um pouco de nós - corpo masoquista, drogado, esquizofrênico, corpo atlético, corpo que consome e se deixa consumir, entre outros.

Falamos agora do corpo-máquina, descrito por Haraway (2000), em Manifesto Ciborgue, onde ela coloca a conceitualização do corpo ciborgue como sendo um corpo híbrido de humano e tecnologia. A ficção científica contemporânea e cotidiana está cheia de ciborgues – criaturas que são simultaneamente animal e máquina, que habitam mundos que são, de forma ambígua, tanto natural quanto fabricado (p.40). Lemos (2004) acrescenta que o “corpo funde-se gradualmente com as novas tecnologias. O corpo torna-se um híbrido, campo de intervenções artificiais como a cirurgia plástica, a engenharia genética, as nanotecnologias (p.163)”. Ou seja, a tecnologia não pode ser vista como uma simples intercessora na relação do sujeito com o mundo. O dispositivo corpo-máquina é um contínuo, o mundo da vida está em simbiose com o mundo da técnica.

O corpo passa a ser entendido como narrativa. Haraway (2000, p.105) escreve que “nossos corpos são nossos eus; os corpos são mapas de poder e identidade”. Instigante é conseguir encontrar brechas e dar visibilidade a uma subjetividade capaz de fazer resistência aos movimentos de controle e poder e, paralelamente, carregar consigo uma perspectiva das pluralidades e da igualdade na diferença. Diz-se que os corpos carregam marcas (Butler, 2002). Os próprios sujeitos estão empenhados na produção do gênero e da sexualidade em seus corpos e ao ousarem se construir como sujeitos nesses espaços, na resistência e na subversão das normas regulatórias, eles/as parecem expor, com maior clareza e evidência, como essas normas são feitas e mantidas.