tempo biológica, psicológica e sociológica. Passe-se a pensar qualquer ação como um ato social. Logo, um gesto, uma expressão, um movimento passa a ser carregado de símbolos e a recriação e massificação destes inscrevem-se na sociedade traços marcantes.

Ampliando-se os conceitos, foi-se, da mesma forma, recriando noções distintas sobre o corpo. Como o assunto corpo possui uma gama enorme de postulados, interpretações, construções que detém em sua ótica de estudo e entendimento possibilidades variadas, entendemos o corpo ao qual nos referimos longe da concepção naturalista influenciada pelo higienismo do século XIX. Compreendemos o corpo como uma entidade maior do que um conjunto biológico de ossos, músculos, vísceras, articulações, nervos e células, destacando o caráter cultural expresso pelo e no corpo.

Faz-se necessário a ressalva sobre os avanços que a Medicina nos proporcionou no entendimento do corpo humano no decorrer dos tempos, pois contribuiu para que pudéssemos estranhar e entendê-lo ampliando o seu conceito. Citemos Soares e Fraga (2003) sobre as contribuições da anatomia:


(...) é a anatomia quem iria permitir uma descrição rica em detalhes e a elaboração mais sofisticada de um discurso especializado sobre o corpo. É ela que iria precisar os desenhos e, assim criar uma objetividade no olhar. Com essa objetividade, foi possível penetrar em todas as partes e em todas as dimensões do corpo; dominar aquilo que se encontrava até então desconhecido. (p. 84)


A fragmentação corpórea através da Anatomia Humana e o iminente apreço pelos estudos do corpo humano tomam proporções ainda maiores com o incremento dos primeiros microscópios em 1590. Esse novo modelo de intervenção traria atalhos para se analisar o corpo através da pele, fazendo-se com que as fronteiras entre interior e exterior do corpo fossem diminuídas. Novos domínios de saberes foram atravessados e o conceito de corpo como tal, era entendido sob diferentes ângulos e áreas do saber.