Nas páginas seguintes, será possível encontrar discussões acerca De qual Sociedade falamos?, Rupturas culturais: um olhar ao corpo, Entre onde está esse sujeito híbrido? e Tecnologia nas Práticas. Enfim, além das problematizações possíveis, buscamos elucidar os campos de possibilidades desses diversos dispositivos que constantemente nos atravessam e re-significam o nosso modo de ser, vivenciar e pensar o mundo e as relações.

De qual Sociedade falamos?

Essas incorporações, essas marcas em nosso corpo perpassam todos os domínios da relação social, chegando a uma linha automatizada de produção em uma fábrica, uma rede de computadores em um escritório, os dançarinos em um clube, luzes, sistemas de som, por exemplo.

Transitamos entre uma sociedade industrial, um sistema polimorfo e informacional. É no domínio desta racionalidade científica, no desenvolvimento da era industrial, no aparecimento das grandes instituições, que se configura a sociedade disciplinar, denominação de autoria de Foucault (1977). É nesse movimento de esquadrinhar, desarticular e recompor que está a habilidade disciplinar de, ao mesmo tempo, aumentar a força do corpo e sujeitá-lo, torná-lo útil e dócil, ou seja, a disciplina é a anatomia política do detalhe, do treinamento e exercício do corpo para atingir-se determinado fim.

Pode-se pensar, então, a sociedade disciplinar como que um dos cenários em que a sociedade capitalista impõe certas condições à subjetividade. Disciplinar o corpo dentro de uma racionalidade da regra de equivalência generalizada, ou seja, a criação de um indivíduo, um processo de privatização da subjetividade, além da segmentação e homogeneização dos valores.