Corpo, tecnologia e subjetividade

Em tempos de Copa do Mundo (ano 2006, século XXI), vamos aos estádios de futebol portando ingressos com chips, assistimos as partidas em tempo real nos “supertelões”, presenciamos sistemas de orientação que evitam tumultos e congestionamentos para receber milhares de torcedores. Para quem fica em casa, a opção de assistir aos jogos também é múltipla. Pode-se ouvir pelo rádio, assistir pela TV, acessar a internet - através das redes de tráfego de dados, imagens e sons - com velocidades que se aproximam ao tempo real. Se preferir, os telefones celulares também mostrarão os jogos ao vivo. Dentro de campo, a tecnologia desponta em todos os sentidos.
Uma bola mais redonda que possibilita uma trajetória mais previsível, uma chuteira que proporciona precisão no chute e rapidez nas arrancadas, uniformes que eliminam o calor e ajustam-se ao corpo. Para onde quer que se olhe, podemos retratar breves histórias do cotidiano que estão marcadas pela inundação tecnológica, não só nas práticas esportivas, como também, nas práticas da vida.


A inserção das tecnologias digitais, dos computadores e a centralidade da mídia informacional parecem ter ecos na vida social como um todo e na própria vivência do corpo e de si como sujeito. Escrevemos sobre uma subjetividade na era digital, de uma vida em rede, que se move por conexões, que se entende como autor e que se faz em produção. No final do século XX, como bem escreve Haraway (2000, p. 40), “neste nosso tempo, um tempo mítico, somos todos quimeras, híbridos – teóricos e fabricados – de máquinas e organismo; somos, em suma, ciborgues”. Um mundo de ciborgues pode significar realidades sociais e corporais vividas, nas quais as pessoas não temam identidades permanentemente parciais e posições contraditórias. Essas redes híbridas são os ciborgues e eles não se limitam a estar à nossa volta – eles nos in-corporam, como bem mapeia Kunzru (2000):