identitário e da rede de comunicação como utopia civilizatória. Desta vez, a inscrição se dá no prefixo ciber e, como indagam as integrantes do g2g[6] , grupo do qual faz parte a performer – o ciberfeminismo teria chegado à América Latina?Em nosso contexto, o tropo cyborgue funciona para a desconstrução de dicotomias sexo/genero e relações de poder de base tecnológica?[7]

Os dispositivos técnicos não compõem um exoesqueleto nem são introduzidos na

espessura da carne. A performance se dá na superfície da pele. A voz está retida pelas portas de conexão cujos cabos envolvem o pescoço e instalam constrições de movimento. O dispositivo que conecta é o mesmo que depõe acerca da insuficiência no uso das redes de comunicação. O mouse se interpõe à vulva. O que se necessita não é uma nova parte do corpo, para dizer de algum modo, mas deslocar o simbólico hegemônico da diferença sexual (heterossexual) e oferecer em perspectiva crítica, esquemas imaginários alternativos que permitam constituir espaços de prazer erógeno.[8]

Como na Minoutaire de Dali,
[9] o corpo trans figura-se ao desfazer os contornos nítidos entre feminino e masculino, entre humano, animal e máquina. Sonha-se a metasubcibertrans um cyborg? Mouses se interpõem aos seios e duas crianças são apoiadas em seus braços - posam para a câmera.

Atada por fios e cabos, a performer não se interliga a outro dispositivo – a sustentação dos aparatos está no corpo. Nos cabos que saem das portas analógicas não correm feixes de informação. Performance e política se entrelaçam num corpo que se situa às margens dos fluxos tecnológicos de comunicação. Sonha a metasubcibertrans com feixes de informações binárias percorrendo os cabos que a atam? Tem-se um corpo open source, aberto, instável.[10]

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